PHQ-9: questionário de sintomas depressivos

O PHQ-9 é um questionário de nove perguntas sobre sintomas depressivos nas últimas duas semanas. Ao final, você vê em que faixa suas respostas se situam, o que ajuda a decidir se vale procurar uma avaliação profissional. Não é diagnóstico.

Finalidade
Rastreio e autoavaliação
Para quem
Adultos (18 anos ou mais)
Tempo
Cerca de 2 minutos
Período avaliado
Últimas 2 semanas
Itens
9 pontuados e 1 sobre o dia a dia
Privacidade
Nada é enviado nem armazenado

Carregando o questionário. Se ele não aparecer em alguns segundos, você pode calcular a pontuação seguindo as instruções mais abaixo nesta página.

Como a pontuação é calculada

Cada um dos itens 1 a 9 recebe de 0 a 3 pontos: nenhuma vez (0), vários dias (1), mais da metade dos dias (2) e quase todos os dias (3). A pontuação total é a soma desses nove valores e vai de 0 a 27.

O item 10, sobre dificuldades no trabalho, em casa ou nas relações, não entra na soma; ele ajuda a entender o impacto dos sintomas. A pontuação só é calculada quando os nove primeiros itens estão respondidos.

Como interpretar as faixas

As faixas abaixo foram propostas pelos autores do PHQ-9 (Kroenke et al., 2001) para descrever a intensidade dos sintomas relatados. São convenções: pontuações vizinhas a um limite, como 9 e 10, são praticamente equivalentes.

PontuaçãoFaixa
0 a 4Sintomas mínimos
5 a 9Sintomas leves
10 a 14Sintomas moderados
15 a 19Sintomas moderadamente graves
20 a 27Sintomas graves

A pontuação 10 é também o ponto de referência mais usado para indicar uma avaliação profissional. Em uma síntese de 100 estudos, esse ponto identificou corretamente 85% das pessoas com episódio depressivo maior e 85% das pessoas sem esse quadro (Negeri et al., 2021).

Uma pontuação alta, porém, não confirma um quadro depressivo. Em grupos nos quais 1 em cada 10 pessoas tem episódio depressivo maior, cerca de 6 em cada 10 pontuações de 10 ou mais não se confirmam em entrevista clínica (estimativa a partir de Negeri et al., 2021). Por isso a pontuação indica quando vale uma avaliação, não o resultado dela.

Limitações

  • O PHQ-9 pergunta apenas sobre as últimas duas semanas; o resultado pode mudar de uma semana para outra.
  • Sono, energia, apetite e concentração podem ser afetados por doenças, medicamentos, gravidez e pós-parto, luto recente ou noites mal dormidas.
  • O questionário não investiga outras condições importantes, como períodos de euforia ou agitação incomuns, ansiedade, uso de álcool e outras substâncias ou efeitos de experiências traumáticas.
  • As evidências vêm principalmente de adultos atendidos na atenção primária e da população geral. Para adolescentes, há versão e pontos de corte próprios.
  • Aqui, o questionário é respondido online e sem acompanhamento. Versões em papel e em computador tiveram resultados equivalentes em contexto clínico (Erbe et al., 2016), mas o uso anônimo em sites não foi estudado da mesma forma.
  • O estudo brasileiro em população geral (Santos et al., 2013) usou uma versão adaptada para entrevista, com opções de resposta diferentes das desta página. Ele chegou ao mesmo ponto de referência (10), mas seus números não se aplicam diretamente à versão autoaplicada.

Quando procurar avaliação profissional

Independentemente da pontuação, procure um profissional de saúde se:

  • o que você sente dura mais de duas semanas ou volta com frequência;
  • há prejuízo no trabalho, nos estudos, nas relações ou nos cuidados consigo;
  • você tem usado álcool, remédios ou outras substâncias para lidar com o que sente;
  • surgem pensamentos de morte ou de se ferir; nesse caso, veja também a ajuda imediata.

Onde procurar: a Unidade Básica de Saúde (UBS) do seu bairro ou um(a) médico(a), psicólogo(a) ou psiquiatra de sua confiança. Em casos graves ou persistentes, também o CAPS (Centro de Atenção Psicossocial), onde houver.

Sobre o PHQ-9

O PHQ-9 (Patient Health Questionnaire-9) foi desenvolvido por Kurt Kroenke, Robert L. Spitzer e Janet B. W. Williams a partir dos critérios de episódio depressivo maior e validado com 6.000 pacientes de clínicas de atenção primária e de obstetrícia e ginecologia nos Estados Unidos (Kroenke et al., 2001). É amplamente usado em serviços de saúde e em pesquisas.

Esta página reproduz a versão oficial em português do Brasil distribuída pelo titular do instrumento. A única adaptação é de formato: em vez de marcar a resposta no papel, você a seleciona na tela.

Referências

  1. Kroenke, K., Spitzer, R. L., & Williams, J. B. W. (2001). The PHQ-9: Validity of a brief depression severity measure. Journal of General Internal Medicine, 16(9), 606–613. https://doi.org/10.1046/j.1525-1497.2001.016009606.x
  2. Negeri, Z. F., Levis, B., et al. (2021). Accuracy of the Patient Health Questionnaire-9 for screening to detect major depression: Updated systematic review and individual participant data meta-analysis. BMJ, 375, n2183. https://doi.org/10.1136/bmj.n2183
  3. Levis, B., et al. (2020). Patient Health Questionnaire-9 scores do not accurately estimate depression prevalence: Individual participant data meta-analysis. Journal of Clinical Epidemiology, 122, 115–128.e1. https://doi.org/10.1016/j.jclinepi.2020.02.002
  4. Santos, I. S., Tavares, B. F., Munhoz, T. N., et al. (2013). Sensibilidade e especificidade do Patient Health Questionnaire-9 (PHQ-9) entre adultos da população geral. Cadernos de Saúde Pública, 29(8), 1533–1543. https://doi.org/10.1590/0102-311X00144612
  5. Erbe, D., Eichert, H.-C., Rietz, C., & Ebert, D. (2016). Interformat reliability of the patient health questionnaire: Validation of the computerized version of the PHQ-9. Internet Interventions, 5, 1–4. https://doi.org/10.1016/j.invent.2016.06.006

Autoria, licença e revisão

PHQ-9: desenvolvido por Robert L. Spitzer, Janet B. W. Williams, Kurt Kroenke e colaboradores, com subsídio educacional da Pfizer Inc. Segundo o titular, não é necessária permissão para reproduzir, traduzir, exibir ou distribuir o instrumento.

Página elaborada por Elias Sá, psicólogo (CRP 11/23800). Última revisão: 29 de setembro de 2026.

Privacidade

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